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Urbanismo pós pandemia

Por Urbanismo pós pandemia

Roma não foi construída em um dia nem as cidades foram moldadas na primeira pandemia. Dos espaços públicos aos ambientes domésticos, políticas higienistas para combater a proliferação de doenças foram e continuam sendo grandes influências no urbanismo e na arquitetura dos nossos centros urbanos.

Exemplos não faltam para confirmar a teoria. Foi durante a cólera, no séc. XIX, que os esforços para garantir água limpa fizeram o desenho de quadras e ruas em Londres se tornar mais retilíneo para acomodar os longos canais subterrâneos embaixo da terra. Já no início dos anos 1900, a proliferação da tuberculose e da gripe espanhola moldou o que viria a ser o banheiro domiciliar moderno nos Estados Unidos, trazendo o cômodo para dentro de casa e substituindo as banheiras e vasos sanitários de madeira por materiais mais fáceis para a limpeza, como metais e esmaltados.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, uma reforma urbana a cargo do prefeito Pereira Passos se espelhava nos moldes europeus para destruir cortiços e instalar grandes avenidas para carros na capital. Alguns anos mais tarde, na década de 30, a questão da densidade e o combate aos “germes mórbidos” também marcariam presença no modernismo de Le Corbusier, reforçando a predileção por espaços abertos, iluminação natural e largas vias conectoras. O movimento arquitetônico, que criou raízes fortes no Brasil, culminaria na construção da capital Brasília.

Com tamanha influência das epidemias no traçado das cidades, resta agora saber o que o coronavírus deixará de legado. Epidemiologistas preveem que, sem uma vacina, o vírus continuará presente nos próximos meses ou anos, restringindo e transformando muitos dos espaços urbanos aos quais estamos tão habituados. O que podemos esperar daqui pra frente?

Cidades21

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